A Justiça brasileira condenou a plataforma de streaming HBO Max a pagar uma indenização por danos morais ao influenciador e YouTuber Core. A decisão confirmou que a empresa errou gravemente ao associar o criador de conteúdo a crimes de ódio e ao aliciamento de menores em uma de suas produções. O veredito serve para limpar o nome do influenciador após anos de uma disputa exaustiva nos tribunais. Para entender como essa história começou, os impactos na vida do influenciador e o desfecho final, confira o passo a passo dos acontecimentos abaixo:
O início de tudo: Uma acusação errada e grave
- Abril de 2023: A plataforma lança a série documental “Massacre na Escola – A Tragédia das Meninas de Realengo”.
- O erro na produção: No terceiro episódio, o documentário exibe imagens do canal de Core. Na ocasião, um suposto especialista afirma que a página dele continha “conteúdo infantil que não era infantil” e servia como “ambiente de aliciamento de crianças”.
A reação: Onda de ataques e defesa da comunidade
- Ódio na internet: Logo após a estreia, o influenciador passa a sofrer linchamento virtual, cancelamento generalizado e ameaças reais de morte.
- Mobilização gamer: Fãs, amigos e outros criadores de conteúdo se unem em uma grande campanha na internet para provar que a acusação era completamente falsa.
- Maio de 2023: Com a forte pressão do público, a HBO Max retira o documentário do ar temporariamente para editar o trecho e remover a imagem do YouTuber.
Processo judicial e uma perda familiar dolorosa
- Junho de 2023: Core e seus advogados entram oficialmente com uma ação por danos morais contra a Warner Bros. Discovery (dona da HBO Max).
- Fevereiro de 2024: Em meio ao andamento do processo, o pai de Core sofre um infarto fulminante e falece. O YouTuber desabafa publicamente que o estresse e a perseguição gerados pelo documentário pioraram drasticamente a saúde de seu pai.
- Primeiro Semestre de 2024: A Justiça concede as primeiras decisões favoráveis ao influenciador, proibindo de vez a exibição do trecho mentiroso.
O desfecho: Vitória definitiva nos tribunais
- Junho de 2026: Os desembargadores do Tribunal de Justiça encerram o caso e condenam a HBO Max de forma definitiva.
- O erro de tempo: A Justiça destacou o absurdo da acusação apontando um erro cronológico básico: o canal de Core foi criado em 2013, ou seja, dois anos depois do massacre de Realengo, que aconteceu em 2011.
- Inocência provada: O tribunal confirmou que o canal de Core é seguro, possui bloqueio para menores e não tem qualquer relação com crimes. A plataforma foi obrigada a pagar a indenização, e o influenciador apareceu nas redes sociais para celebrar o fim do pesadelo jurídico.
O suposto “especialista”
O consultor educacional Ricardo Chagas, responsável pelas falsas acusações no documentário, acabou isolado e judicialmente responsabilizado após a repercussão do caso. Alvo de uma forte onda de críticas e cobranças por parte da comunidade gamer e dos fãs do YouTuber, o especialista desativou todas as suas redes sociais para fugir do julgamento público. No tribunal, a estratégia jurídica da defesa de Core não poupou os criadores do conteúdo: a Justiça entendeu que o depoimento de Chagas foi a engrenagem principal para a construção da mentira e, por isso, ele foi condenado de forma conjunta com a HBO Max a responder legalmente pelos danos morais causados à imagem do influenciador.
O desfecho deste caso estabelece um precedente histórico para o jornalismo investigativo e para a responsabilidade civil das grandes plataformas de streaming no Brasil [Cabana do Leitor]. A condenação conjunta da HBO Max e do consultor Ricardo Chagas deixa claro que a pressa por engajamento e a falta de checagem básica de fatos não podem atropelar a dignidade humana e o trabalho de criadores de conteúdo independentes. Para Core e sua comunidade, a decisão judicial representa muito mais do que uma reparação financeira: é a restauração definitiva de uma reputação construída ao longo de anos e o alívio de ver a verdade prevalecer sobre uma acusação que gerou marcas profundas e irreparáveis na história de sua família.
Fontes: UOL | Cabana do Leitor | TJ de São Paulo

