Ratinho Jr. declara apoio à candidatura de Caiado a presidente

O governador Ratinho Junior (PSD) foi às redes sociais manifestar apoio à decisão do PSD de escolher o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como nome para concorrer à Presidência da República em outubro. Após Ratinho, que era o favorito da sigla, desistir de concorrer, a disputa ficou entre Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Ratinho chegou a receber um convite para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), mas, até então, insistia em se lançar como candidato a presidente. Ao ver o partido bolsonarista apoiar e filiar o senador Sergio Moro, que vem liderando as pesquisas para o governo do Estado, acabou decidindo focar na eleição estadual. Em um comunicado, citou pedidos da família para se retirar da disputa nacional, o que deixou o caminho aberto para Caiado, nome escolhido pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Para o governador, o PSD deu um exemplo “do seu compromisso com a democracia” ao promover um debate equilibrado para escolher o candidato que disputará as eleições presidenciais deste ano.

“A definição do partido pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, reforça que a legenda apostou num homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo, em áreas vitais como educação e a segurança”, escreveu o governador. “O seu entusiasmo em servir é fonte de inspiração para todos aqueles que acreditam num Brasil moderno, que ofereça oportunidade aos jovens e reconheça a força da iniciativa privada como fonte de crescimento.”

O governador ainda afirmou que os eleitores terão mais uma opção “para virarmos a página de um país menos desigual, moderno e sem amarras burocráticas”.

Leite, que foi preterido, também foi às redes sociais e não escondeu o descontentamento com a escolha do PSD. “Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão”, disse em vídeo.

Com a definição do PSD, a disputa pela Presidência da República está concentrada em três nomes: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).

Sucessão no Paraná

Para o analista político Elve Cenci, a decisão de Ratinho Junior está ligada sobretudo ao cenário paranaense e a um cálculo político de mais longo prazo. “Ratinho planejava ser candidato pensando muito mais em 2030 do que propriamente em 2026.” Segundo ele, ao perceber que “o foco em Brasília colocava em risco a sucessão do seu grupo político no Estado”, o governador “optou por recuar e concentrar os esforços na sucessão estadual”.

Na avaliação de Cenci, o ambiente nacional também pesa contra o projeto presidencial do PSD. “Atualmente, as pesquisas indicam que a disputa eleitoral será mesmo entre Lula e Flávio Bolsonaro. Não há espaço para uma terceira via.”

Sobre Caiado, o analista afirma que o governador de Goiás deverá enfrentar dificuldades para furar essa polarização. “Tenderá a disputar o mesmo segmento de eleitores que Flávio Bolsonaro, o que lhe causará dificuldades. Ratinho conseguiria atrair votos mais ao centro e penetrar no eleitorado com menor renda.”

No cenário estadual, Cenci avalia que Ratinho terá uma disputa difícil com o PL. “Terá de afirmar que não quer o PL, partido representado por Moro, mas que simpatiza com Bolsonaro e votará em Caiado”, diz o analista, que acredita que a candidatura de Caiado beneficiará Ratinho na corrida para fazer o sucessor.

Parte superior do formulário

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“Poderá afirmar que o PSD tem candidatos a governador e a presidente, sem ter de se posicionar entre Lula e Flávio Bolsonaro. A candidatura de Caiado facilitará, em tese, a sua missão de fazer o sucessor. Resta saber como conseguirá agradar a vários senhores ao mesmo tempo”, completa.

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