Dia Mundial do AVC na Câmara de Ibiporã: sinais de alerta, cuidados imediatos e por que cada minuto conta

 
Durante a Sessão Ordinária de 29 de outubro, o Período de Explicações Pessoais foi suprimido para que a Dra. Caroline Zapelini, médica residente em Neurologia, fizesse uma apresentação especial sobre o Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC). A médica destacou os sintomas, os cuidados essenciais e a importância do atendimento rápido para reduzir sequelas e salvar vidas.
 
O que é o AVC e por que agir depressa

  • O AVC — popularmente chamado de “derrame” — ocorre por um problema nos vasos sanguíneos do cérebro.
  • Pode ser isquêmico (cerca de 85% dos casos, quando há interrupção do fluxo de sangue) ou hemorrágico (rompimento do vaso, geralmente mais grave).
  • É muito comum e responsável por altas taxas de mortalidade e incapacidade.
  • O tratamento efetivo depende de tempo: para trombólise (medicação que desobstrui o vaso), a janela padrão é de até 4h30 a partir do início dos sintomas. Cada minuto sem cuidado adequado custa milhões de neurônios.

 
Sinais de alerta — teste “SAMU”
A orientação é reconhecer rápido e ligar 192 imediatamente. Use o mnemônico SAMU:
 

  • S – Sorriso: peça para a pessoa sorrir. A boca torta ou desvio de rima é um alerta.
  • A – Abraço: peça para erguer os dois braços. Se um cair ou não sustentar, é sinal de fraqueza.
  • M – Mensagem: peça para falar uma frase. Dificuldade de falar ou fala enrolada/sem sentido exige ação imediata.
  • U – Urgente: AVC é emergência. Acione o SAMU (192) para remoção direta a hospital capacitado.

 
Importante: não espere melhorar em casa e não se dirija a unidades sem estrutura para o protocolo do AVC. A UPA não dispõe de tomografia 24h, neurologista de plantão e trombolítico; a orientação é acionar o SAMU (192) para hospitais de referência.
 
Onde tratar
Para a região, a médica informou que os hospitais capacitados para receber e tratar AVC são: Hospital Universitário (HU) de Londrina, Santa Casa de Londrina e Hospital Evangélico. O Hospital Cristo Rei, em Ibiporã, dispõe de tomografia (passo importante para diagnóstico), mas ainda não conta com neurologista de plantão e alteplase (trombolítico) para conduzir o protocolo completo.
 
Prevenção: até 80–90% dos casos podem ser evitados

  • Controle de pressão alta, diabetes e colesterol na atenção primária (UBSs).
  • Atividade física regular e alimentação saudável (frutas, verduras, menos álcool).
  • Parar de fumar (UBSs oferecem grupos de tabagismo).
  • Reconhecer sinais e agir sem demora.

 
Depois do evento agudo: acompanhamento e reabilitação

  • Mesmo com tratamento, é essencial:
  • Seguimento neurológico para identificar a causa do AVC e prevenir recidiva.
  • Reabilitação precoce (idealmente no primeiro mês): fisioterapia, fonoaudiologia e apoio psicológico para reduzir sequelas e restaurar a funcionalidade.

 
Perguntas dos vereadores e esclarecimentos

  • Augusto Semprebon perguntou sobre referência hospitalar: a médica confirmou HU, Santa Casa e Evangélico, via SAMU (192).
  • Prof. Abreu questionou hereditariedade: AVCs monogênicos existem, mas são raros; a maioria decorre de fatores de risco modificáveis (pressão, diabetes, colesterol, álcool, tabagismo).
  • Rafael da Farmácia perguntou sobre formigamento e esquecimento: no AVC típico, o quadro é agudo e recente; formigamentos crônicos sugerem outras causas. Esquecimento requer investigação (inclusive de AVCs silenciosos ou doença de pequenos vasos).
  • Dieguinho da Furgão perguntou sobre sexo e idade: há leve predominância em homens e maior incidência acima de 50–60 anos, mas jovens também podem ter AVC (por outros mecanismos).
  • Ilseu Zapelini questionou a janela terapêutica: até 4h30 do início dos sintomas (com protocolos avançados, alguns casos podem ter avaliação estendida, conforme disponibilidade tecnológica).
  • Hugo Furrier relatou um caso em família e alertou sobre procura rápida por atendimento; a médica reforçou que “cada minuto conta” e que a via correta é SAMU (192) e hospital de referência.

 
Próximos passos
A Câmara reforça as ações educativas e a divulgação dos sinais de alerta, em alinhamento com a rede municipal de saúde, para que a população reconheça precocemente os sintomas, acione o SAMU e chegue rápido ao serviço de referência — passo decisivo para salvar vidas e evitar sequelas.

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