Cesta básica fica quase 5% mais cara no mês de março

O custo de vida para o londrinense ficou mais caro no último mês. De acordo com a mais recente pesquisa do NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) – Campus Londrina, o valor médio da cesta básica na cidade subiu para R$ 658,06 em março de 2026. O índice representa uma alta de 4,85% em comparação a fevereiro, quando o conjunto de alimentos custava R$ 627,60.

O aumento foi puxado principalmente pelo setor de laticínios e hortifrúti. Dos 13 itens que compõem a cesta nacional, seis apresentaram elevação nos preços em relação ao mês anterior. O leite foi o grande vilão do mês, registrando um salto de 31,3% em seu preço médio. Logo atrás aparecem o tomate, com alta de 28,0% , o feijão, que subiu 17,9% , além da margarina (+9,9%) , banana (+5,3%) e o pão (+1,4%).

Por outro lado, o consumidor encontrou alívio real em apenas dois produtos que registraram queda: o açúcar, que recuou 5,7% , e a farinha de trigo, com redução de 4,4%. Já outros cinco itens mantiveram-se em patamares de estabilidade, com variações inferiores a 1%: o óleo de soja (+1,0%) , o arroz (+0,8%) , o café (+0,2%) , a batata (-0,3%) e a carne (-1,0%). Vale destacar que a carne, embora estável, continua sendo o produto de maior peso no orçamento, representando 43,8% do valor total da cesta.

Para uma família composta por dois adultos e duas crianças, o dispêndio mensal mínimo com alimentação em Londrina atingiu R$ 1.974,19. O estudo revela ainda o impacto direto no tempo de trabalho necessário para garantir o sustento: considerando o Salário-Mínimo Brasileiro (R$ 1.621,00) , o trabalhador precisa dedicar 89,3 horas mensais para adquirir a cesta. Já para quem recebe o Salário-Mínimo Paranaense (R$ 2.057,59) , esse tempo é de 70,4 horas.

A pesquisa, realizada em 11 redes supermercadistas entre os dias 29 e 30 de março, destaca que a comparação de preços continua sendo a melhor ferramenta do consumidor. Se o comprador se dispusesse a adquirir apenas os produtos de menor valor em cada um dos estabelecimentos, pagaria R$ 527,87, uma economia de 19,8% em relação à média. Em um cenário mais real, comprar todos os itens no supermercado mais barato da cidade custaria R$ 598,26 , enquanto no local mais caro o valor saltaria para R$ 731,96.

No acumulado, a inflação da cesta básica em março de 2026, medida pela média dos últimos 12 meses em comparação ao período anterior, aponta um índice de 5,99%. O relatório é coordenado pelos professores Marcos Rambalducci e José Luiz Dalto.

Prévia

A elevação do preço da cesta básica em março pode ser uma prévia do que vem pela frente se a guerra no Oriente Médio se estender por um longo período. Com a manutenção do conflito, a tendência é de alta na inflação, impulsionada especialmente pelo aumento dos combustíveis e dos alimentos.

O primeiro produto a ser impactado pela ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã foi o petróleo, com reflexos imediatos no preço do óleo diesel no Brasil. Em um mês, o combustível já acumula alta de mais de 20% e em uma economia que tem o transporte rodoviário como principal modal, responsável por 60% do transporte de cargas, o que se vê na sequência é um efeito cascata em todos os setores econômicos em razão do aumento dos custos do frete.

“Os efeitos secundários (da alta do diesel) são a volta da inflação dos alimentos que se dá pelo setor atacadista de alimentos e bebidas, um segmento que vai sofrer primeiro os efeitos do aumento do combustível”, disse o assessor econômico da Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Paraná), Lucas Dezordi.

Entre março e abril, disse o economista, os impactos do reajuste dos combustíveis deverão ser mais relevantes. “O mercado já está precificando uma inflação mais alta no final de 2026. Infelizmente, porque a inflação estava convergindo bem. A gente estava com uma queda importante do processo inflacionário.”

Quando os varejistas decidem que é preciso repassar o aumento do custo ao consumidor final, o que se vê são famílias fazendo ajustes no orçamento doméstico para conseguir absorver os impactos da inflação. Assim, a tendência é uma mudança no hábito de consumo. “No médio e longo prazo, se esse conflito persistir por um período acima de oito, nove meses, a gente vai começar a observar uma mudança no hábito de consumo dos agentes econômicos, principalmente no que diz respeito ao gasto com transporte, que tem peso importante no orçamento das famílias, e também na questão de alimentos. O consumidor vai buscar aqueles produtos que não subiram tanto de preços e que possam ser substituídos pelo seu padrão de consumo”, afirmou Dezordi.

O técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paaraná), Anderson Sartorelli, avalia que embora a variação de preços dos hortifrutis seja ditada mais pela sazonalidade, é possível atrelar o aumento desses itens à alta nos custos do transporte. “Temos informações de que o frete tem aumentado em torno de 15% (desde o início da guerra no Irã), mas é uma estimativa porque temos o diesel, que representa de 20% a 30% do custo total do frete, mas dentro do frete há outras variáveis que impactam.”

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O repasse ao consumidor final não acontece de imediato e nem em percentual proporcional. Os reajustes acontecem de acordo com a quantidade de produto em estoque, contratos, momento da safra e margens da cadeia, entre outros fatores considerados. No momento, avaliou Sartorelli, ainda não é possível fazer esse cálculo. O próximo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve ser divulgado na primeira quinzena de abril e aí, disse o economista, será possível ter um panorama dos efeitos da guerra na inflação brasileira. “(A alta) dos alimentos é meio que automática, mas só os alimentos talvez não puxem para cima o IPCA. O grupo alimentos e bebidas tem um peso significativo na inflação geral, mas tem que ver quanto vai ser o aumento para ver se de fato provocou uma inflação no país.”

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