Césio-137: A história real do acidente que inspirou a produção da Netflix

Foi lançada no último dia 18 de Março no catálogo da Netflix, a série nacional “Emergência Radioativa” que conta a história real da contaminação radiológica que aconteceu na cidade de Goiânia em 1987. A minissérie de 5 episódios se tornou um fenômeno de audiência, conquistando o Top 10 das séries mais assistidas do mundo na plataforma.

Mas o que aconteceu na vida real?

Tudo começou quando dois catadores encontraram a capsula de um aparelho abandonado de radioterapia em um prédio desativado. Essa capsula feita de chumbo pesado, continha césio-137, um material altamente radioativo. Eles pegaram e venderam a capsula para um ferro-velho no centro da cidade.

Sem saber do perigo, o dono do ferro-velho e dois funcionários, desmontaram o aparelho e encontraram um pó azul brilhante — que parecia “bonito” e até curioso.

Segundo documentos da época, parte da capsula onde estava o césio, ficou cerca de 10 dias na casa da família, expondo todos a um nível enorme de radiação constante, enquanto era distribuído para amigos e familiares. Não demorou para que os sintomas de contaminação começassem a aparecer, como náuseas e vômitos, queda de cabelo, lesões na pele (parecidas com queimaduras) e danos internos graves.

Várias áreas da cidade foram isoladas, casas precisaram ser demolidas e toneladas de lixo contaminado foram armazenados de forma segura para evitar que a contaminação se espalhasse ainda mais.

O que é o césio-137?

O Césio-137 é um isótopo do elemento químico césio. Ele não é estável e por isso, emite radiação constantemente o tornando extremamente perigoso. Mas apesar do perigo, ele tem usos importantes como Radioterapia (tratamento de câncer), Equipamentos industriais (medicação e controle) e Esterilização de materiais.

A radiação que ele emite pode penetrar no corpo e danificar células e DNA, além de causar doenças graves como o câncer. Por ser comum no estado de “pó fino”, o césio-137 se espalha facilmente. Se entrar em contato com o corpo (na pele, respiração ou ingestão), é ainda mais perigoso.

Sua “meia-vida” dura cerca de 30 anos. Isso significa que demora décadas para perder metade de sua radioatividade. Ou seja, ele é perigoso por muito tempo.

As consequências do acidente em Goiânia

O acidente com o césio-137 em Goiânia, se tornou o maior acidente radioativo da história, fora de uma usina nuclear. Oficialmente, 4 pessoas morreram pela contaminação direta do material:

Leide das Neves Ferreira (6 anos): Ingeriu o material e foi a vítima mais afetada.

Maria Gabriela Ferreira (37 anos): Esposa do dono do ferro-velho.

Israel Batista dos Santos (20/22 anos): Funcionário do ferro-velho.

Admilson Alves de Souza (18 anos): Funcionário do ferro-velho

Outras 249 pessoas apresentaram níveis perigosos de contaminação e 129 precisaram de acompanhamento médico contínuo. Mais de 110 mil pessoas foram examinadas e aproximadamente 6 mil toneladas de rejeitos foram gerados, incluindo roupas, casas e alimentos. Indícios ainda apontam para dezenas de mortes posteriores por câncer e complicações pulmonares como consequência pela contaminação.

A responsabilização pelo acidente com césio-137 em Goiânia foi complexa e dividida, envolvendo órgãos públicos, profissionais de saúde e até os donos do imóvel abandonado.

Médicos e sócios da clínica foram processados por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e lesões corporais graves, além do abandono do aparelho que continha o material radioativo. Em geral, as penas foram de 3 anos de prisão e muitas delas foram convertidas em penas alternativas, como prestação de serviços, além do pagamento de indenizações. Algumas vítimas recebem suporte dos governos estadual e federal até hoje.

O acidente do césio-137 fez com que procedimentos fossem revistos, leis fossem criadas e fiscalizações mais rígidas fossem aplicadas, não só no Brasil como no mundo todo. Mas, muitas pessoas ainda consideram que ninguém “pagou de verdade” pelo desastre. O caso virou símbolo de impunidade relativa em tragédias desse tipo.

A minissérie “Emergência Radioativa” conta com 5 episódios e está disponível no catálogo da Netflix.

Fontes: G1 / gov.br / BBC / Agência da Marinha

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