O GRPCOM (Grupo Paranaense de Comunicação) anunciou aos funcionários, nesta sexta-feira (30), mudanças na estrutura societária envolvendo a RPC (Rede Paranaense de Comunicação), afiliada da TV Globo no estado, e as rádios do grupo. A família Cunha Pereira, dona do jornal Gazeta do Povo, decidiu vender as participações da RPC que detinha para a família Lemanski, que já tinha representação nas emissoras e agora passa a deter o controle majoritário da TV e das rádios 98FM e Mundo Livre.
Segundo comunicado interno, assinado por Guilherme Cunha Pereira, Ana Amélia Filizola e Mariano Lemanski -, a decisão foi tomada levando em consideração os interesses dos diferentes núcleos familiares que compõem a família Cunha Pereira. A medida, descrita como difícil e tomada com pesar, busca “garantir maior autonomia” a cada um desses núcleos.
Com a operação, a família Lemanski assume o controle das empresas de radiodifusão, “mantendo o compromisso com o projeto editorial e institucional do grupo”. Já a família Cunha Pereira permanece à frente dos jornais Gazeta do Povo e Tribuna do Paraná, que continuam sob sua gestão e controle.
Mudanças na gestão
A nova estrutura prevê mudanças na gestão corporativa. Eduardo Boschetti, que atua há 15 anos como diretor geral da RPC, assumirá a gestão das áreas corporativas. As rádios seguirão sob a gestão de João Santos, enquanto o Instituto RPC permanece sob a responsabilidade de Ana Gabriela Borges. Ambos passarão a se reportar diretamente a Boschetti.
Também foi criado um comitê de transição para conduzir o processo de reorganização. O grupo é formado por Mariano Lemanski, que coordena os trabalhos, pelo conselheiro externo Marco Cândido, indicado pela família Lemanski, além de Guilherme Cunha Pereira e Eduardo Boschetti. A família Lemanski informou que anunciará em breve uma nova estrutura de governança, incluindo a criação de um conselho de administração.
No comunicado, os dirigentes reforçam que “a missão, os valores e o DNA do grupo permanecem inalterados”. A assessoria de imprensa da RPC foi procurada, mas disse que não vai comentar o assunto.
Emissora histórica
A RPC foi oficialmente criada há 27 anos, em 1999, unindo as emissoras de TV do grupo em uma só. Entretanto, a emissora, antes chamada em Curitiba de TV Paranaense, começou a operar em 1960. Em Londrina, a RPC era chamada de TV Coroados, que transmitiu pela primeira vez em 1963. Somente em 1970 a emissora virou uma filiada da TV Globo. Hoje, a RPC alcança 374 municípios no Paraná, tendo, aproximadamente, 11,1 milhões de espectadores em potencial.
Confira abaixo o comunicado recebido pelos funcionários nesta sexta-feira (30):
Prezados colaboradores,
Todos vocês sabem que, há anos, colocamos de pé um experimento fascinante: um grupo de comunicação estruturado em torno de convicções muito sólidas e de uma missão ambiciosa e poderosa – a de estimular nas pessoas o desejo de serem melhores e de contribuírem mais para o bem da sociedade.
Parte essencial desse projeto é um modelo de gestão que garante a perfeita consistência e coerência entre operação, estratégia e missão. Sempre acreditamos que, agindo assim, poderíamos construir uma instituição capaz de se perpetuar no tempo, uma instituição que liberasse as energias de todos os colaboradores – a maior riqueza do grupo.
Os resultados extraordinários dos últimos anos, o reconhecimento alcançado, a competência da equipe e o grau de maturidade institucional que alcançamos nos dão hoje a convicção de que em grande medida aquele “experimento”, aquele projeto está provado e aprovado.
E é essa certeza que nos dá uma imensa tranquilidade para lhes dar a conhecer uma importante mudança na estrutura societária do nosso grupo, ocorrida há poucos dias.
A família Cunha Pereira, levando em consideração os interesses dos núcleos familiares que a compõem, decidiu, com pesar, viabilizar uma maior autonomia para cada núcleo. Nesse contexto, tomou a iniciativa de oferecer à família Lemanski a sua participação nas rádios e a maior parte de sua participação na RPC.
A família Lemanski, que também tem grande paixão e confiança no projeto, aceitou adquirir essa participação, passando, assim, a deter o controle das referidas empresas.
A gestão das áreas corporativas será assumida em breve pelo Eduardo Boschetti, que há vários anos já conduz as operações da TV (RPC). As rádios (98FM e Mundo Livre) continuam sob a gestão do João Santos e o Instituto sob a gestão da Ana Gabriela Borges. Ambos passam a se reportar ao Eduardo Boschetti.
Foi constituído um comitê de transição formado por Mariano Lemanski (coordenador), pelo conselheiro externo Marco Cândido, indicado pela família Lemanski, bem como pelo Guilherme Cunha Pereira e pelo Eduardo Boschetti. Em breve, a família Lemanski anunciará uma nova estrutura de governança, com a constituição de um conselho de administração.
A família Cunha Pereira seguirá na gestão e no controle dos jornais (Gazeta do Povo e Tribuna do Paraná). Todo o restante permanece inalterado.
Saibam que temos certeza que podemos nos apoiar em cada um de vocês para que nosso propósito e nosso DNA se consolidem cada vez mais, alcancem cada vez mais pessoas e as inspirem, porque também permanece inalterado o nosso compromisso em fazer uma comunicação transformadora, um entretenimento de qualidade e encantador e um jornalismo corajoso, independente e responsável.
Com carinho,
Guilherme Cunha Pereira
Ana Amelia Filizola

